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Quem Sou Eu: Fabrício Siqueira

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Nascido na cidade de Bom Jesus do Itabapoana, no norte do estado do Rio de Janeiro. Biólogo, Astrônomo amador e autodidata em diversas áreas de conhecimento.

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* O conteúdo dos textos postados nesta página estará sempre sujeito à revisões visando possíveis atualizações a respeito de cada tema postado. Modificações nos textos poderão também ocorrer caso haja a necessidade de corrigir erros que porventura possam estar contidos nas informações aqui publicadas.

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* Este Blog foi criado visando atingir um público leigo e mediano no que se refere ao conhecimento científico-filosófico e, portanto, informações complexas e detalhadas a respeito de cada tema estão além do escopo desta página. Ao final de muitas postagens são citadas referências e outras fontes para aqueles que buscam um maior aprofundamento em relação ao assunto que está sendo abordado.

* Certas imagens ou vídeos postados nesta página da web poderão conter elementos fortes e inapropriados para algumas pessoas.

7 de jul de 2009

Ceticismo e Pseudo-ceticismo


"Só sabemos com exatidão quando sabemos pouco; à medida em que vamos adiquirindo conhecimentos instála-se a dúvida!" (Johann Wolfgang von Goethe)




Através desta postagem discorreremos sobre o Ceticismo, seus fundamentos, sobre a postura cética como meio de entender o mundo ou como auto-defesa intelectual. Também será estabelecida uma diferença entre o ceticismo (no sentido restrito da palavra) e o Pseudo-ceticismo( Também conhecido como Ceticismo Pirronista). O termo ceticismo tem ganhado cada vez mais importância na atualidade, pois vivemos em uma era onde as informações transitam livremente pelo planeta. Na internet por exemplo, ao pesquisarmos sobre um determinado tema, logo teremos milhares de páginas encontradas contendo informações sobre o mesmo. Mas como confiar ou ter certeza de que o que estou lendo na web corresponde à informações verdadeiras sobre o assunto em questão? Assim se torna essencial que as pessoas aprendam a filtrar as informações que chegam até elas, de modo que consiga distinguir um material confiável de um outro mais duvidoso.

Podemos dizer que um indivíduo cético, seria aquele que adota a dúvida como base para se alcançar o conhecimento. Mas o ceticismo não se resume apenas em um ato de duvidar. Ceticismo consiste também em: Analisar minuciosamente quaisquer tipos de alegação; exercer o pensamento crítico em nossas observações; questionar valores (isso inclui questionar até mesmo os próprios valores, assim como os valores externos) e ser honesto em relação à julgamentos e conclusões a respeito de determinados assuntos, sem deixar que nossos valores pessoais interfiram de modo negativo nas conclusões.

O ceticismo, em geral, se encontra associado também ao método científico, assim, podemos dizer que em ciências, o escrutínio cético representa um importante aliado no campo da pesquisa, desde a sua introdução até a interpretação dos resultados obtidos. Os céticos valorizam a investigação científica como meio de submeter a prova inúmeras alegações. Entre as alegações mais famosas que se tornam alvos da crítica cética incluem : Relatos , vídeos ou fotografias de OVNIS, Astrologia, Relatos de abduções por extraterrestres, Fenômenos ditos "sobrenaturais" (fantasmas, casas mal assombradas, possessões, etc...), poderes da mente (como telecinésia ou premonições), entre muitos outros.

É errado pensar que o ceticismo deva se prender APENAS a questionamentos ou críticas a esses tipos de alegações. Na verdade, o cético deve questionar tanto os elementos mais básicos quanto os mais complexos, e isso inclui também a ciência. SIM! Devemos submeter à crítica e ao questionamento até mesmo até mesmo as teorias científicas mais bem aceitas. Pois é justamente desse modo que a ciência evolui. O indivíduo como cético deve saber que a ciência não constitui um altar diante do qual os adeptos da dúvida se ajoelharm, como muitos pensam. A ciência, assim como qualquer outra atividade humana, também é passível de erros e de inconscistências.

Muitos acusam os céticos de serem pessoas de mente fechada, que atrasam o desenvolvimento do saber. Outros dizem que os céticos se recusam a aceitar qualquer coisa que possa destruir o pedestal científico de leis que estão hoje bem estabelecidas. Essas críticas na grande maioria dos casos , partem de astrólogos, Ufologistas e defensores do paranormal. Na verdade não é bem assim. Os adeptos do ceticismo tem o direito de duvidar de algo que não possa ser sustentado por evidências. Mas DÚVIDAR e não negar. E sempre devem estar receptivos a uma mudança de opinião caso surjam evidências para dar embasamento a um determinado assunto que antes era alvo de sua dúvida!

O problema é que muitos assuntos não se encaixam bem com investigações rigorosas e assim na minha opinião, não considero prudente ou sensato os céticos pretenderem que tudo tenha que abrigatoriamente ter um aprofundamento científico para ser considerado como válido. Uma pessoa cética não significa necessáriamente uma pessoa desprovida de algum tipo de crença particular e não científica. É sempre recomendável que o cético seja honesto e imparcial em suas análises; que tenha um bom conhecimento a respeito do objeto de sua crítica e esteja constantemente revendo os próprios conceitos. O ceticismo não pode de forma alguma representar um estado de inércia ou estagnação, mas sim uma constante jornada em direção ao nosso desenvolvimento intelectual, visando sempre um melhor entendimento a respeito de tudo aquilo que queremos saber. O mesmo pode ser dito em relação ao respeito a outros tipos de posturas que não o ceticismo.

A analise cética se encontra no nosso lado até mesmo nas atividades mais comuns. Por exemplo, ao fazermos uma compra em um supermercado, suponhamos que estamos acostumados com um produto da marca A, devido a sua ótima qualidade. E quando vamos à prateleira do produto, notamos que a marca está em falta e o gerente nos mostra o mesmo produto, só que rotulado como marca B, alegando que essa marca é tão boa ou melhor que o da marca A. A princípio obviamente iríamos duvidar e questionar a alegação do gerente de que o produto tem uma boa qualidade. Poderíamos nos recusar a comprar o produto por não ser da mesma marca que conhecemos e que sabemos ter uma boa qualidade, ou poderíamos submeter a nossa dúvida a um teste, comprando o produto da marca B, para experimentar. Caso aprovemos a qualidade do produto, poderíamos concluir que a tal marca também possui uma boa qualidade. Caso reprovemos o uso da marca B, concluimos que não é uma boa ideia comprar aquela marca.

Um outro bom exemplo do uso do ceticismo no dia-a-dia, seria a compra de um carro usado. O proprietário lhe propõe a oferta de um veículo modelo 99 da Ford. Ele alega que o mesmo se encontra em perfeitas condições e pede o seu preço. Você naturalmente levanta uma dúvida sobre o estado do automóvel e por sí mesmo resolve observar e fazer uma avaliação por dentro, por fora, abre o capô para averiguar a aparência do motor, da bobina de ignição, da bateria, das fiações,etc... A primeira vista lhe parece que está tudo em boas condições, mas resta ainda um pouco de dúvidas. Então você convoca um mecânico e um eletrecista de autos, para fazer uma checagem no motor, direção, caixa de marchas, injeção eletrônica e instalações elétricas do veículo. Baseado no "laudo" sobre o estado do carro você se sentiria mais seguro para comprá-lo ou para recusar a oferta.

Um ceticismo saudável sempre é um bom aliado , auxiliando nos a fazer boas escolhas, tanto materiais, quanto a respeito de filosofias de vida que podemos seguir. No entanto, existem pessoas que fazem questão de se entitularem céticas, mas que na verdade possuem diferenças gritantes em relação a aqueles que são honestamente céticos, visto que demonstram serem possuidores de uma visão distorcida e desequilibrada em relação ao verdadeiro significado do ceticismo. Esses são os chamados Pseudo-céticos ou céticos pirronistas. Podemos dizer que esta variante compreende pessoas que alimentam profundas crenças pessoais que estão sempre "no contra", e esse fervor os levam à alegações ou conclusões bastante tendenciosas e parciais em relação a um determinado assunto. Eles se manifestam principalmente no campo das críticas à questões como a existência de Deus, Almas, milagres, parapsicologia e afins. Se consideram superiores a aqueles cujas posições são criticadas, possuindo uma forte convicção de que estão certos e com razão a respeito do que criticam.

Como reconhecer um pseudo-cético?

Os Pseudo-céticos apresentam característcas que demonstram as suas diferenças em relação aos céticos. Um dos fundadores do moderno ceticismo, Marcello Truzzi estabeleceu em 1987 o que seria uma conduta pseudo-cética, destacando as seguintes característcas:

- Uma tendência à negações, e não à dúvidas.
- Rigorosidade acima dos padrões comuns em relação a avaliação do assunto criticado
- Tendência a desmerecer e desacreditar , ao invés de investigar.
- Julgamentos sem análises completas e conclusivas a respeito do tema criticado
- Uso de ataques pessoais e da ridicularização dos defensores de idéias opostas.
- Apresentação de evidências incompletas ou insuficientes
- Tentativas de desqualificação daqueles que propôem novas idéias, acusando-os na maioria das vezes de serem "pseudo-cientistas".
- Partir da premissa de que as suas críticas ou afirmações os insentam do ônus da prova, ou que também não prescisam estar sustentadas por evidências.
- Apresentação de contra argumentação não fundamentada, baseadas em especulação e não em evidências empíricas.
- Sugestão de que se as evidências presentes não os convencem, uma dada teoria deve ser descartada.
- A tendência em desqualificar qualquer evidência.

Eu ainda acrescentaria ainda mais uma característica:

- Um preconceito em relação a determinados tipos de assuntos, por eles considerados de tamanho absurdo que nem "perderiam o seu tempo" lendo algo a respeito (que poderia lhe dar a oportunidade de formular uma crítica de qualidade).


Acredito que todos nós somos céticos em relação a muitas coisas e em outras não tanto. É sempre recomendável uma certa cautela para se poder lidar com certas questões de modo a não aceitar alegações apriorísticas e do mesmo modo não descartar hipóteses caso estas não sejam contrariadas FORTEMENTE por evidências. Também vale dizer que não devemos descartar hipóteses que não possuam evidências convincentes, permanecendo no campo da especulação. Como diria Sagan : " Ausência de evidências não é evidência de ausência", lembrando que mesmo não encontrando evidências no presente, nada impede que num futuro próximo ou distante, elas poderiam ser encontradas e assim contribuindo cada vez mais para o progresso dinâmico do conhecimento humano.

Sugestões de leitura:

Skepticism:

http://plato.stanford.edu/entries/skepticism/

Sobre o Pseudo-Ceticismo:

http://www.ceticismoaberto.com/ceticismo/2162/sobre-o-pseudo-ceticismo


[ ]´s

2 comentários:

  1. Muito interessante este texto, gostei muito, admiro a sua imparcialidade e seriedade em tratar tais temas (como ceticismo, ateísmo e religião), o que vemos é muitas pessoas que não sabem o que são, pseudo-cristãos, pseudo-céticos, pseudo-ateus, muitos destes, lobos fanáticos travestidos em pele de cordeiros (ou em pele de lobos de outro espécime, rs),

    Parabéns

    Schú

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  2. Eu sou cristão e já sofri ataques pessoas na internet por parte de uns pseudo-céticos, que não acreditam em Deus.
    Eles negam até o fim que Deus não existe, apesar de eu tentar mostrá-los, usando alguns argumentos científicos (não citarei quais, pois não estou aqui para falar sobre a existência de Deus.)
    Eles ficaram com raiva e passaram a me ridicularizar. Então, resolvi sair fora, pois vi que só iria perder meu tempo.
    Apesar de crer em Deus, eu acredito que jamais haverá provas sobre sobre sua existência ou não. Se isso for verdade, acreditar que Deus não existe também é uma crença.

    Adorei o texto. O autor está de parabéns.

    Abraços

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